12.5.06

flores partidas
















Você podia ser minha amiga. Acalentou meu coração moribundo, desgraçado. Uma razão, entre muitas, pro meu ciúme achacado. Mesmo assim, como um anjo, falou ao meu ouvido, sopro de calor, consolo.
Respiração presa num susto, salguei a boca pra tirar o amargo. Cantei o mais alto que pude, sem desafinar, sem me importar com os vizinhos. A dor vibrando em meus bemóis e sustenidos.
Você, que me chama de flor, e assim é aclamada. Você, uma flor cultivada com carinho, minha aflição. Você, com esse precioso frescor de juventude, com o ritmo delicado da tua escrita, podia me fazer desabrochar denovo pra resplandecer beleza. Frágil ainda, mas cheia de vida, viço.
Não fosse esse amor teimoso, demente, podia ser minha confidente. Isso se já não fosse essa flor cobiçada. E se minhas pétalas já não tivessem sido quase todas, uma a uma, arrancadas. Bem-me-quer, mal-me-quer. Ainda assim, bem te quero.

7.5.06

augusta

festa

Tinha nome de flor. Os olhos profundos, verdes d´água.

_Já vai embora? toma alguma coisa, é de graça.
_Mesmo? Caipirinha, então.

Encarava adivinhando, logo sorria seus dentes imperfeitos. Sentadas, numa fileira. Algumas dançam. Outra mete a cara de um gringo entre os peitos negros, imensos.

_olha essa: a barriga maior que os peitos!

Ela repete a risada repentina, exagerada, pra logo calar com os olhos perdidos. guarda seu mundo num espanto que nem sabe que mostrou. E pergunta:

_Você tem namorado?
_não.
_Gosta de mulher?
_depende. e você, gosta?
_não.

Vem uma música melosa, cantada em italiano, dessas de novela. Duas mulheres se beijam sob o foco da luz. Tiram as roupas. Lambem-se nos peitos e na buceta. Uma, exuberante. Outra, bem masculina. Peitão e peitinho, bundão e bundinha. O show acaba. Começa um forró. Rose, no relógio:

_meu gringo tá esperando, são 2h30.
_então vai encontrar teu gringo.
_mas onde vocês vão? eu também vou.

Vai pro banheiro, ver se descola algum. Nada. Então vamos lá beber, ela diz. Caipirinha, então. Ela pede sangue de boi. Com gelo. Toca drum´n´bass. Ela ensaia uma dança de rebolar até o chão. Logo ri, desenfreada. Tomo mais uns goles, ninguém me vê. Estou invisível. Já Rose. Me chama pra dançar.

_vamos lá dançar no cano!
_ah, não, vai você.
_vaaaamos!

Me puxa. Resisto. Talvez com uma roupa mais apropriada. Ela de vestido curto, rodadinho. Sandália de salto. Dois sujeitos olham e riem. Eis que surge a proposta. Muito barato. Renegocia. E o gringo? Um espanhol por dois bolivianos.
Rose me olha com aquele céu dentro dos olhos, infinito inalcançável. Some na fumaça. A noite silencia.

3.5.06

recuerdos

cama de luz2

*No Rio, quando a gente foi pra Lagoa, depois voltamos pro hotel. Me fez de tua, de puta, de mulher. Conduzida como dama, segura pelas mãos, os pés e a cabeça.
*Quando voltou da Europa, ou de Nova York, só lembro que fazia tempo. Saudade. Te esperei cheia de vontade, apesar do meu cansaço, alguma madrugada editando ou coisa assim. Mas acendi as velas, pus a música e você chegou, com presentes, com teu abraço de apertar na medida. No fim, aquela coisa de não caber em mim, como se você pudesse se apoderar dos meus desejos, ler meu pensamento, respirar no meu tempo.
*E aquele dia, quando cheguei na sua casa, o mesmo abraço de enlaçar a alma, o chinês a caminho, meu sorriso imediato, só de estar ali. E quando me entrou na cozinha, com beijos de urgência. O mundo me escapou e os pensamentos evaporaram pra tuas mãos calarem.

16.3.06

dos sonhos

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Deu um cheiro no meu pescoço. Me olhou exatamente, falou devagar. Não teve beijo, mas foi melhor. Porque você me olhava de verdade. Falávamos tão perto que dava pra sentir o perfume do seu hálito, a quentura dele. E de um jeito tão doce você falava, nem sei o quê, coisas que talvez nunca vamos falar. Conversas que provavelmente não vamos ter, além de ois e tchaus com abraços que sempre me dão a impressão de durarem mais do que realmente importam.
Também pensei ter te visto na rua. E as borboletas se agitaram mais uma vez no meu estômago. Não era você, tudo bem. Porque o sonho que tua aparição me inspira lembra que meu coração tem ainda o poder de me levar a este universo fantástico, onde perder-se de encanto é achar a si mesmo.
Você me faz sonhar. E isso agora é tão importante que basta.

11.1.06

Menu - I

ondas
Raviolão de ricota com abobrinha e bacon no azeite aromático

Pra fazer tem que colocar a mão na massa mesmo, mas vale o esforço. O mais difícil é esticar a massa com aquele rolo de macarrão que é clássico. O ideal seria ter uma máquina, onde você passa a massa umas duas ou três vezes e ela sai fininha e pronta, já retangular pra fazer os cortes pro ravióli. Essa máquina se tornou meu mais novo objeto de desejo e já é uma promessa para 2006. Sim, porque descobri que fazer a massa em casa é uma delícia e dá mil possibilidades de criar formatos e recheios... E adoro inventar coisas na cozinha.
Mas não importa a máquina porque sem ela eu fiz raviolões, de mais ou menos 7cm, que ficaram irregulares, rústicos e achei bem legal. E como disse, fica uma delícia, e leve, e diria perfeito pra comer a dois: não vai pesar e os sabores mexem com os sentidos... também por causa desse tal azeite aromático que fiz, que vai alecrim e gengibre, duas coisas que amo. Não testei a receita para uma noite de luxúria, mas sei que é perfeita. Na verdade, preparei para minhas amigas audiovisuais e foi ótimo. Elas fizeram coisas maravilhosas também:
uma entrada deliciosa - catupiry com alho e salsa, pra comer com pão sueco ou torradinhas, que a Karina preparou; uma mega salada que tinha até figos (da Ananda) e uma sobremesa incrível que parece nada, mas é tuuuudo! Sorvete de Galak, que vem com pedacinhos de galak, com calda de framboesa + amora e framboesas frescas por cima...uh lá lá! Foi um jantar fenomenal e a gente ficou gemendo de satisfação a noite inteira... Mas voltemos ao raviolão.

Primeiro, deixe pronto o recheio-presente:
Foi aquele chef inglês figura, o Jamie Oliver, quem disse que o ravióli é um pequeno presente embrulhado. E você vai oferecer esse presente a quem julgar que merece... Portanto, o recheio deve ser feito no capricho.
Inventei esse com as coisas que tinha em casa, mas dá pra inventar outros tantos, e aí que está a graça.
Coloque um pouquinho de azeite extra-virgem numa panela média e doure um punhado de bacon picadinho com um dente de alho amassado. Jogue uma abobrinha, também bem picadinha (tire aquela parte central, que tem micro sementes) de deixe refogar um tantinho. Depois é so desligar o fogo e misturar umas 250g de ricota amassada com garfo. Para rechear o ravióli faça pequenas bolas dessa mistura com as mãos.

Bom, a massa:
Com apenas ovos e farinha você faz a massa. Uns 4 ovos pra meio quilo de farinha. Amasse com a mãos por um tempo, até que fique elástica. Aí chega a hora de botar força e abrir a massa com o rolo. Antes, divida a massa em duas partes pra ficar mais fácil. Guarde uma delas na geladeira, enrolada em papel-filme. Tente abrir a massa para deixá-la o mais fina possível, com uns 2, 3 mm de espessura.
Então é só cortar tiras e ir dispondo montinhos de recheio sobre elas. Com a ponta do dedo passe um pouco de água nas bordas da massa e cubra com outra tira parecida. Vá apertando, com carinho, pra que não fique nenhum ar dentro do ravióli e a massa fique bem grudada uma na outra. Então corte no espaço entre cada recheio pra ficar com os quadrados de raviolão.

Voilá! Basta ferver em água abundante com sal até que a massa fique tenra, se é que me entende. Quando estiver quase no ponto, comece a preparar o azeite aromático... Acho que com umas cinco colheres de azeite já rola. Tem que ser um azeite bonzão! Aqueça o azeite e jogue um bom ramo de alecrim fresco (compre na feira que sempre tem) de deixe fritar um pouco, pra ficar crocante. Na sequência junte meia colher de gengibre ralado. Se quiser, ponha mais alguma erva, como sálvia ou manjericão.

Com uma colher grande, que não seja de metal, vá pescando os raviólis e colocando diretamente na panela com azeite. Deixe escapar junto um pouco da água da massa para incorporar melhor tudo. Misture delicadamente... com calma, e espere uns instantes até achar que está suculento e que a massa já absorveu bem os sucos. Hummm. Tá prontíssimo! Sirva uns três raviolões por pessoa, pra começar. E decore o prato com pingos de azeite e um raminho de alecrim.

Depois me diz se não gemeu também.

desamorado

barra

A lua logo tá cheia. Imagina só a praia como vai ficar. A gente foi e a noite tava negra, até lanterna a gente usou. Mesmo assim podia ver que seu olhar não estava em mim. Na maioria das vezes não. Não diz que é besteira, que não é verdade. Apesar da escuridão eu via. E tudo que eu resplandecia se diluía nas coisas, nas pessoas, na areia. E nunca tinha visto dessa forma. Dois viraram todo mundo. Não tinha atrito, nem discussão. Não tinha paixão. Nem que a lua brilhasse com toda força. Nem o sol, o mar. Nada colore um amor desbotado.

2.11.05

vastas emoções, pensamentos imperfeitos

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se você sonha, uma hora acorda. o encanto sempre se desfaz. o mistério instiga-excita até ser desvendado. quebrei os copos e não recolhi os cacos - ficaram lá, os estilhaços. nenhum cuidado, nenhuma importância.
aquilo foi cruel. eu, estúpida. lembrei do sono, pesadelo. nem música, nem sol, nem mar. noite ruim que transborda o dia. as borboletas se foram, voar em outras barrigas. meus sorrisos se encondem, recolho um a um os beijos. cansados de espera.

24.10.05

aumente o som

beijo3

acordei ainda com a sensação do beijo. foi lento, quente, perfeito. começo a lembrar de outras partes, tua mão na minha cintura, teu olhar me tomando de encanto, eu debruçada sobre um balcão cheio de fotos espalhadas, te ouvindo enquanto borboletas voam no meu estômago.
confundi outros rostos com o teu. vi muitos beijos. garotas lindas num ritual sem pressa de admiração mútua e sensualidade explícita. o som estava baixo. mal conseguia ver o palco. me pus a observar as pessoas e tudo que via eram beijos.
talvez esse sonho, seu beijo, tenha sido fruto do meu voyerismo. talvez fosse tanta vontade de ser envolvida completamente pela música e ela não chegar em mim.
quero o som mais alto, estremecendo o peito, cintilando pelo corpo. quero mais é que a música aumente tanto que não possa ouvir mais nada, que não possa falar. só beijos.

12.10.05

Beijos Proibidos

azul

Tantas vezes essa tela azul. Ansiedade ao ver a ampulheta girar. Checar se tem mensagem. Despejar letras nessa caixa de texto como se todos os sentimentos fossem um líquido transparente enchendo uma jarra quebrada. Sonhos e choros e lamentos e explosões de amor. Desculpas, acusações e desmentidos e confissões e lapsos de doçura que podiam durar para sempre. Acendo a vela e penso: paz. O mundo desaba, flores murcham pela ação do tempo, minha água já verteu para encher o lago onde quase me afoguei. Mas, desafeto não tem. É amor. Labirinto onde me perco e me acho, me salvo e me dano. Todo mundo que conheço é um pouco louco. Uma dose dupla de insanidade. Com limão, por favor. Ah, não esquece do gelo. Loucura não existe. As pessoas existem. E são como são. Classificação: humano. Racional. Instintivo. Ser contraditório. Incompreensão. Queria saber mais de tudo. Coisas que não sei. O que eu mais quero é saber. É não saber de nada. Quero fazer muitas coisas. Fazer nada. Consciência. A gente tem isso. Ela sabe que você me ama. Para ela tudo faz sentido. Para ela está tudo bem, porque é isso o que realmente importa. Paz. O que é um absurdo? O dinheiro mover o mundo, a falta de emprego, a guerra, a traição, a violência? Tudo se justifica. Tudo tem por que. Os especialistas podem explicar, podem contar a história, como tudo começou e chegou até aqui. Eu também. Posso ir a um especialista rever toda a minha trajetória para entender como cheguei até aqui. Pólvora, fogo, puf! Simples. Eu queria ser mais simples, mas não teria tanta graça. Intensa. Isso já sei que sou. Último grau. Então vai, só mais um degrau para ver melhor. Mas, aí tem um abismo. A queda é longa. No trajeto vou pensando: que porra estou fazendo? O que vai acontecer quando chegar lá embaixo? Cansei de drama. Sempre fui fã de Almodóvar. Aquela intensidade toda. Todos sem máscara para o espectador. Mulholland Drive. Como, vendo de fora, fica normal perceber o quanto é complicado. O amor sempre ali, regendo tudo. Tudo lindo, tudo fodido. Não somos seres racionais. Somos amantes. E isso tem nada a ver com uma capacidade de raciocínio. E, sinceramente, não sei com o que tem a ver. Mesmo assim acendo a vela e penso: paz. Sinto o amor que se instalou em mim desde o dia que você deixou uma bala em forma de coração em cima do meu travesseiro. Desde quando gravou aquela fita. Desde quando achei meio chato o teu jeito metódico em Caraíva. Desde quando fiquei imaginando você acariciando outra mulher como se eu levasse uma facada. Penso: paz. Uma cena da Nouvelle Vague, não menos intensa, mas serena. Era isso o que eu queria.

este texto foi publicado originalmente no www.fakerfakir.biz, por Dina Flape

3.10.05

sede

sede

talvez você seja mesmo proibido. se pudesse, te daria os melhores beijos. se pudesse me ver assim, se pudesse me pegar, saber como eu sou. se encontrasse a hora certa, aquele momento em que tudo acontece. simples, só acontece.
você me olhar com aqueles olhos de mira certa, isso é o que fode. da última vez fiquei sem graça, ficou tudo em câmera lenta. deu frio na barriga, me vi te olhando de longe com cara de boba. não era um daqueles momentos, falei sem parar, um monte de besteira, fui embora. sem deixar de pensar no que pode acontecer quando finalmente tua mira acertar o alvo. me sinto anestesiada, com sede. te bebo todo, em pequenos goles de degustação. adivinho teu perfume, tua pele quente. ah, se você soubesse do que é capaz uma mulher com sede.

1.10.05

cega

alcançar

Há qualquer coisa que me prende. Não sou amarga - fico exausta de procurar. As respostas são muitas, nunca suficientes. Esse pavor que me dá é coisa antiga. Se existe alguma verdade, ela não é possível, daí procurar outras.
Tive minhas vezes de achar teu beijo oco, teu ritmo lento demais. Também tenho meus desejos secretos. Mesmo assim tento adivinhar os teus. Adivinho teu encanto por belezas óbvias e unânimes. Tua busca contínua. Teu retorno.
Tem qualquer coisa que me prende e talvez seja essa escuridão. Tem sempre a dúvida do que existe ali além do que se pode sentir. Como se sentir já não bastasse.

28.9.05

It sucks

rosto3

ter vontade e não poder. poder mas não querer. ver sem enxergar, ouvir e não gostar. trepar e não gozar. sair e querer voltar. ler e odiar. saber sem se conformar. dar sem receber. acreditar e não acontecer. ter tempo e desperdiçar, ter a chance e escapar. incerteza, inconstância, repetição. chôro sem consolo. burrice, futilidade. correr e não chegar. fugir e ser pega. larica sem doce. bad trip. suco ralo, halls com cerveja. procurar sem achar. esperar. esperar. ciúme, indigestão. amar sem querer. amor sem perdão.

26.9.05

bem resolvida

brilhonagua
Fiquei boba, frio na barriga. Foi só me olhar e pronto. A mistura perfeita entre doçura e safadeza. Faísca nos olhos, calor de sol do meio dia no Rio. Logo as faíscas todas passeando na pele, explorando cada curva como um CDF estuda sua matéria. Sacou tudo rápido. E foi devagar. Se aplicou no melhor beijo - o melhor mesmo - que já ganhei. Caí no azul daqueles olhos num mergulho sem medo, mesmo faltando o ar. Sabe tudo tão bonito que vc esquece que tem que respirar?
Como eu quis, em sonho, acordada, na cama, no banho. Imaginação não pára. E agora ele também não parava. Melhor, muito, do que a viagem. Assim nunca. O ar falatando, parece que se aproxima uma morte doce, desejada. Como pode? Homem exato. Como se tivesse me calculado e depois de equações complicadas houvesse me solucionado. E eu, sempre péssima em matemática, perdi a conta.

23.9.05

lugar nenhum

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Com ele fico no meio do caminho. Me vejo ali, clandestina, um fantasma que existe sem que ninguém possa ver. Passeio pela casa, subo e desço escadas, observo suas coisas, a cama desarrumada. Passo seu perfume, um jeito de grudá-lo em mim. Penso em quando ele podia me ver, me tocar. Desarrumo a casa. Logo ponho tudo em ordem pra que a minha presença não o assuste. Ele chega, segue seu ritual: passear com o cachorro, ração, água. Vai no banheiro. Faz um sanduíche, liga a TV. Talvez um beck. Talvez baixar umas músicas. Eu continuo ali, invisível.
Mas ele sabe, sabe que estou ali. Às vezes fala comigo, pensa em mim. Mas nada como antes. Porque seria em vão. Apesar de ainda sentir não existo mais.
Sinto que tem horas que minha presença incomoda, quando fico triste, a energia pesa. Dá um jeito de me mandar embora. Eu vou. Logo volto.
Tem noites que ele sonha comigo, diz coisas fabulosas, como antes: a mais gostosa. Se agarra em mim na cama, um abraço de enlaçar as pernas e dar as mãos. Só que ele acorda e não se lembra, tudo segue igual. Leio suas linhas e me entristeço profundamente, fico com ciúmes. Dou um jeito de bagunçar as coisas, de deixá-lo puto. Ele fica. E maldiz meu nome: praga daquela, só pode ser. Eu choro. Sem lágrimas palpáveis mas choro muito e, mais uma vez, vou embora.

12.9.05

turn off the light

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ajoelho, peço. não fico confortável, levanto. alguma coisa ainda incomoda. o que é? essa luz! odeio luz na minha cara. a noite é a noite. dia é claro. nem sempre. eu só tô me distraindo disso aqui. é isso que tem acontecido, dispersão, pensamento demais na cabeça. pensamento errado na hora certa. por que agora dei pra pensar nessas horas? quero me concentrar naquilo. isso mesmo. ou melhor, aquilo mesmo. devia desligar. off. ou mudar a estação, tunning: sex. chega, agora só pensar em fazer, sentir. melhor: fecho os olhos. dá pra sentir mais. só o som. ajoelho, peço. e tudo acontece. ganho uma camiseta emprestada, um sono profundo_ enfim páro de pensar.

10.9.05

sexy romantico

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Tenho ouvido muito BiD. Adoro uma música dele e do Seu Jorge, "E Depois..."
Delícia! Os arranjos, a tal da flauta adocicada e a batera old school do meu primo Kuki.

E aí, a gente vai passear/ e aí, a gente vai namorar/ e depois.... e depois...

É romance puro. Fora a voz deliciosa do Seu Jorge (tenho uma queda fortíssima por aquele nego). Se trata de um cara (o da música, não o Seu Jorge. Sei lá também, foi ele quem fez, pode ser baseado em fatos reais... Aliás, uma nota: pra mim, não existe ficção. tudo é sempre baseado na realidade) Enfim, é um cara planejando o encontro com uma garota muito sortuda: vão tomar sorvete, ouvir a música preferida dela, tomar vinho, conversar... tudo muito simples, sutil. Mas é tão bonito. Porque passa aquela sensasão de felicidade que a gente sente quando sabe que vai encontrar alguém que gosta, e a gente passa o dia viajando nisso, fazendo planos, com aquele sorriso besta na boca. Ah, isso é uma delícia ou não é? Delícia também são os gemidinhos e barulhinhos que o Seu Jorge faz. Caramba. Toca lá e me diz se não é mamão no mel, algodão-doce, azul? Romântico, sexy e delicado. Como são os inícios de romance.

3.8.05

lágrimas de cachaça

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1. falar a verdade
mesa do bar, eu chorei. você também. de repente tava todo mundo falando muito, gesticulando muito, rindo muito. Uma palavra e a gente chorou. Acho que de tão rápido que o sangue começa a correr, tão quente, os nervos. só um toque e vem riso, vem choro e, já sabe, um punhado de palavras jogadas no vento como confeti.

2. mentir (pra si mesmo)
um amigo ligou, mais ou menos arrasado, coisa de amor. um conselho? vá encher a cara. nenhuma palavra, nenhum passatempo, nenhum método infalível. outras mulheres? nem pensar, não agora. é fossa? cachaça. resolve? ou o sono ou as lágrimas chegam mais fácil. e os dias, simplesmente, passam.

26.7.05

jogos e trapaças

deitada

Não existe silêncio então, um constante zunido de palavras sussurros gemidos quase inaudíveis quase gritos. Palavras, todas juntas, tornam-se quase música, quase reza, quase tudo. Palavras chulas, palavrões, gestos de uma obscenidade que fariam essas neo-feministas pseudo-modernas terem assunto pra horas e horas de papo furado via MSN ou milhares de caracteres pra formar teorias que condenam “chupetinhas guiadas” e decretam a total impossibilidade de gozar de quatro, entre outras balelas.
Estar à mercê de um cara que te diz o que quer e faz tudo como deve talvez seja um prazer que elas, aquelas, não tenham se permitido.
Um estrondo, suficiente pra ter transformado um quarto numa nave que flutua não sei onde nem porquê, as imagens rolam em VHS.
Se permitir é ser livre o suficiente pra não ter pudores num jogo onde censurar é trapacear – a TV desliga automaticamente.

18.7.05

secos e molhados

dom inocêncio-pi piauí aguado salvador

20.6.05

destino: viagem

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senhoras e senhores, apertem os cintos. em caso de emergência, máscaras de oxigênio cairão automaticamente

- ce viu o que aconteceu com a élida?
- que foi?
- teve um derrame, uma coisa horrível...
- sério? como assim?
- o rosto ficou deformado...
- nossa! que horror, coitada...
- diz que foi stress, desgaste emocional, aí ela deu uma pirada, sabe...
- também, depois de tudo que ela passou com aquele cara
- pois é... mas não imaginei que chegava a esse ponto
- ah, ela deu uma pirada, né?
- é, direto encontrava ela chorando
- fora os ataques de ciúme
- não era pra menos, o cara era uma canalha
- é, mas acho que ela exagerou, tinha que se conformar, sair fora
- isso é. ficar correndo atrás de cafajeste não rola
- ce sabe que ele ficava com tooodas as estagiárias?
- claro, quem não sabe?
- pôxa, ela pirou mesmo, né?
- pois é. e até que ela era legal, alto astral
- mas ela se perdeu com esse cara aí...
- e acho que prejudicou tudo, porque já viu, quem consegue trabalhar direito se tá o tempo todo noiado, chorando pelos cantos?
- é... mas que chato, né?
- é, por mais que ela tenha viajado, ninguém merece
- pois é. será que foi grave mesmo?
- acho que sim. ce não reparou que ela tá sumida, não aparece mais...
- eu também nunca mais vi
- bom, eu tenho que trabalhar, depois a gente se fala.
- ceeerto. ce vai na festa da dé?
- claro. a gente se vê lá. beijo!