30.5.05

solteira, não só

festa2

dá vontade de botar um anúncio: mulher procura. ih, tem até programa com esse nome, mulheres na faixa dos 30 em busca do amor... blábláblá... aí vai ver e elas só falam um monte de besteiras, parecem todas meio exêntricas, porque eu sou assim, sou assado, comigo tem que ser assim. parece que elas têm medo que algum homem vá roubá-las delas mesmas, ou que têm grande necessidade de se afirmar antes mesmo que venham os questionamentos. se eu fosse homem fugiria dessas mulheres com manual. credo. e notem que estou falando dessa meia dúzia de mulheres que vi nesse programa, que passa na GNT. onde vi outra discussão sobre as mulheres de hoje, no Saia Justa. porque os homens não querem nada, as mulheres se expõem demais, bibibi-bóbóbó. eu não quero falar aqui em nome das mulheres. o negócio aqui sou eu. uma mulher e só.
dá vontade de botar anúncio, mas isso é só um jeito de dizer que eu estou querendo muito conhecer uns caras novos por aí. o que não consiste num desejo de explicitar isso em algum site babaca. eu sei que eles, vocês, estão todos por aí. e sei também que o problema maior sou eu, que estou aqui, e não por aí pra ver no que dá.
minha amiga ligou outro dia: dá pra ser feliz sozinho? eu disse, sim, claro. a pauta era porque as mulheres querem sempre se casar? sei lá. eu não sei se quero casar. eu conversava com um amigo, que está pra fazer 30 anos assim como eu estou pra fazer 29, sobre o que a gente sonhava estar fazendo com essa idade quando era adolescente. que eu me lembre, sempre sonhava ser uma mulher independente, com meu trabalho e meu apê só pra mim. mas isso incluía me apaixonar, flertar, beijar, trepar, marcar encontros, jantares, festas... sinto então que alguma coisa deu errado. isso porque eu não contava que a essa altura os meus amigos poderiam estar se casando e tendo filhos. só porque esse é o processo natural das coisas. uma ova! então eu não estou no processo natural? estou atrasada? sou problemática, sou assustadora, mal-resolvida, o quê? sou como aquelas mulheres de 30 do GNT? NÃÃÃO, eu não sou. mas tem essa idéia pairando no ar, de que se você não tem um nanorado você não é bem-sucedida, você tem alguma coisa errada. e é verdade! uma mulher de 30 solteira sofre muitos preconceitos.
pensando aqui comigo enquanto tomo meu café e fumo meu cigarro sem ninguém me encher o saco, vasculho meus desejos pra descobrir que eu não queria estar casada agora, que não queria ter filhos agora. eu só queria curtir mesmo minha solidão, minha solteirice, minha liberdade de escrever o que quiser na parede do meu quarto, de mudar mil vezes minha sala, de acordar de madrugada e fumar na minha cama se eu quiser. mas aí penso que mesmo assim tudo parece tão difícil, que sempre essa melancolia, uma sombra de angústia fica me rondando.
um casal de amigos chamou pra jantar com outro casal de amigos. ok. um ex tá meio deprimido então chamo pra ir também. numa outra noite saio com outro casal de amigos, pra dançar. plena terça-feira, vou tomar café na casa de uns amigos. é, um casal. faço a lita do meu aniversário e... socorro!!! só tem casal! então descubro que estou cercada, por todos os lados, de casais tão legais que me fazem sentir tão à vontade que me esqueço que sou diferente: eu estou sozinha. eu não sou um casal. e eles já estão tão acostumados a serem casais que também se esquecem da minha condição. aí não me resta outro remédio a não ser pensar que seria bom dar uma reciclada, fazer novas amizades, SOLTEIRAS, que vez ou outra estejam a fim de fazer a mesma coisa que eu: sair pra ver e ser vista, levar umas cantadas, falar bem e mal dos homens, falar de tamanho de pau e outras ladainhas. poder dizer, nossa, ce viu que idiotice que aquele cara falou? ou, nossa, ce viu aquele cara que delícia?
então eu sento com minha taça de vinho e vejo Sex and the City. fico com inveja da Carrie porque ela tem três amigas solteiras, sem contar que ela tem a Samantha. tudo bem, no fim da série acabam todas arrumando seu par. só que a esta altura elas já são mulheres de quase 40...
e eu com quase 30 continuo sendo uma mulher que procura. só que não é homem, são amigos solteiros. pra compartilhar não um orgulho de ser solteiro, mas pra ter companhia ao pensar que é possível ser feliz sozinho.

19.5.05

para homens inteligentes

adiante

as lindas são mesmo burras, em geral. mas você há de concordar que existem muitas mulheres bonitas (veja bem, não lindas) e inteligentes. e que os homens que preferem o superlativo das muito bonitas, ou seja, as lindas (e burras), são igualmente desprovidos de intelecto. isso porque não sabem reconhecer a verdade de uma mulher ou sequer de si mesmos, o que exige profundo conhecimento, ou ao menos sua busca.

assim, limitam-se ao leviano, deslembram seu talento pra se entorpecer de formosura, inflar o ego de estampa. fazem crescer uma sombra, que só os impede de enxergar a vastidão de beleza que pode haver além da alegoria. uma beleza, como você mesmo diz, feita de defeitos, medos, feita de uma história que conduz à busca de virtude, à exploração de um espaço que não é físico, espaço onde, entre outras coisas, reside a inteligência.

nem vou entrar no mérito da importância que tem a beleza, o que é óbvio. mas vale pensar que mesmo as coisas mais belas (e agora não falo de pessoas) são demasiadas complexas, nascem de experiências muitas vezes feias, confusas e intensas.

eu, como mulher, bonita e inteligente, cheia de medos e defeitos, também protesto: queridos, vamos parar de ficar babando bobos por mulheres lindas e estúpidas. Isso é falta de juízo. Tá no dicionário.

esta é uma reflexão sobre o texto anatomia é destino, publicado no www.fakerfakir.biz