13.3.08

pegar ou largar








Cuidado comigo. Posso te judiar, te decepcionar. Posso uma hora te amar e logo esquecer. Não confie em mim, não se iluda quando eu te escrever algo emocionante. Não amoleça se eu falar com voz de menina abandonada. Não acredite que eu tenho, afinal, um coração. Não que eu não ame, me apaixone, chore, sinta saudade. Não que não me sinta só e seja convencida por ingênuo desejo de ser diferente. Fato que é da minha natureza ser assim, como sou. Não que eu seja má. Coragem. Tome fôlego, prenda a respiração.

25.2.08

a gift


















Um coração gravado, meu novo nome estampado. A gift. Assim ela permeia teus desejos fantásticos. Te olha e te vê como nem você sabia que era. Na verdade sabia, mas não tinha coragem de ser. Num clic, e outro e mais tantas miradas de te virar do avesso, ela vem chegando. Entra na sua carne, te veste da fantasia que te faz ser quem você imaginava desde sempre. Ela fala, você desconcerta e adora. Fala tudo na frente de todos, afirma como se perguntasse. A resposta é obrigatoriamente o que ela espera. Aponta sua máquina da verdade e... pronto. Te presenteia com a coragem de ser livre. Você é dela para sempre.

14.2.08

la mirada fatal
























No puedes haces lo que quiero que hagas
No puedes hablar todo que hablas
Cuando mira mis ojos
Con tu malicia matadora.
No puedes.

Yo quiero y puedo
Mismo sin tener todo,
y más, y cuanto puedes me dar:
Todo que haces y no hay quién haga,
Tus palavras, siempre tu voz
La calma y intensidad,
Y todo, y mucho.
Sabes. Tu sabes,
Mi boca, tu camiño.
Quieres?
Mira. Hago todo que lo quiera.
A mi me encanta.

17.1.08

happy hour

estradaazul
Every time you come around, something magnetic pulls me and I cant get out
Disoriented, I cant tell my up from down
All I know is that I wanna lay you down


Sei que vejo essa faísca prata nos seus olhos, que o teu cheiro forma um campo magnético ao teu redor, que teu sorriso e a pintinha que passeia ali por perto desconstroem o cenário rapidamente: o céu fica alaranjado, as pessoas e os carros e as casas desfocam. Acompanho teu olhar pousado na minha boca, passei batom. Minhas mãos não páram, giro a bolsa no ar de um lado pro outro. Tenho um sorriso inevitável e constante, te pego o braço, ondas invisíveis. Meu ímpeto é acariciar tua barba macia, pegar nas mãos teu rosto e ver de pertinho cada tanto de delícia.
Abraço-enlace, despedida. O sol vai indo, dourando tudo atrás. Cada parte de mim deslocada, meus pés não encontram chão. Meu caminho é colorido, linha reta e infinita. Teu perfume, grudado em meu ombro, vai junto.

20.12.07

cromoterapia

various 052

Pintei de malícia, não ficou bom? What´s your favorite color, baby? All your living color. Sempre fico em dúvida, olhando todos os vidrinhos: desejo, malícia, obsessão, deixa beijar. Porque essa querência de tudo e tanto? Essa minha permanente dúvida geminiana; qual vai ser? A manicure bate o pé. Tá, esse! Quero usar todas. Quem não quer? Mas nem por isso precisa ser difícil, não um fardo, não esse medo de perder todo o resto. Essa semana fui de malícia. Semana que vem passo outra. Tem gente que não, mesma cor toda vez, até enjoar. Mas a fobia moderna é ter que passar sempre a mesma cor, mesmo que ela seja o máximo. Como ficar só no desejo, que é incrível, se existe o obsessão, que é tão exótico? Ter que fazer uma única escolha é uma crueldade, mesmo. What´s your favorite color, baby? Meia dúzia de adoráveis cores. Um tanto de cada, multicolorido.

*este ano não vou passar a virada de branco.

11.12.07

no way


















Era proibido. E ele ali, rindo das minhas graças. Proibido. Não pode. Aquele ímã puxando a gente. Mas não, sossega. E as pernas se encostando, calor, e que boca tão bonita. Mais caipirinha. E tá tão bom, ficar do lado dele me deixa leve. Pena que não dá mais. Inspiro o ar do teu encanto, expiro um desejo soberano. Escrevo no guardanapo. Entrego quando ninguém vê. Que pena. Já era? Já é. Vamos pra casa. Só nós dois.
Rendida. Teus olhos brilham. Tua voz rouca. A voz da tua alucinação. Meu sangue corre pelando nas veias. Todas as portas de mim abertas, escancaradas. Silêncio ensurdecedor. Emudeço. Transbordo. Desfaço. Não pode. Mas é.

29.11.07

verdades

O interfone toca: oi, sou eu. A porta abre. A moça sobe as escadas. Ele a recebe com surpresa: resolveu passar aqui? Ela: saudade. Ele a coloca sentada no sofá e pergunta se quer beber alguma coisa. Cerveja, ela diz. Ele vai até a cozinha e volta com os copos cheios e a cabeça transbordando. Ela bebe e observa: tá estranho. Fareja o ambiente como cadela, dá um gole desgostoso. Ele vai até o quarto e fecha a porta. Ela ouve barulhos estranhos: que tá fazendo? Ele diz que nada. Ela ouve o deslizar de tecidos no ar e perde o seu. Agora ouve o próprio coração bombando as artérias. Um terremoto dentro de si. Volta a sentar no sofá, toma a cerveja e fica muda de boca aberta. Ele volta. Ela diz que vai ao banheiro e espia o quarto: cama arrumada com lençóis limpos. Por que você trocou os lençóis agora?, pergunta. Pra você, ele diz. Ah. Uma batida descompassada em seu peito rompe o silêncio. As mãos dela suam, a cabeça dele esvazia.
Cinco anos se passam. O celular dela toca: oi, chegou? Sentam-se à mesa e pedem entrada. Suco de abacaxi e coca-cola. Ela, penne, ele fusilli. Os dois sorriem. Ela conta que transou com uma mulher. Conta que tirou fotos nuas. Ele reage com excitação nervosa. Tá com ciúmes!, ela diz. Nada, não sinto ciúmes. Claro. Mas conta, ela fala, já transou com duas mulheres? Ele: ao mesmo tempo, não. Ela: como assim? Ele: fiz coisas que você nem imagina... Ela: então já transou com duas no mesmo dia, assim, na seqüência... Ele: é. Ela: e uma delas era eu. Ele: pára com isso! Não vamos falar dessas... Ela: Então ela saiu e eu cheguei? Ele: mais ou menos... foi coisa de filme, de novela. Ela: ela se escondeu quando cheguei? Tipo no armário? Ele: não, pára Ela: não, agora quero saber... fala! Ele: ela saiu pela porta da cozinha. As lágrimas dela caem no penne. Ele sorri solidário, já faz tempo, não importa. Ela: transei com seu melhor amigo. Ele pede a conta, ela paga. Não tem sol, mas faz um calor infernal.

19.11.07

a menina e o vento



















E tanto tempo que não sei dessa doçura. Há tanto que não tão suave, que as palavras exalam da boca como perfume. E um cheiro tão bom, eu disse. Um suspiro, tudo ar, voar no vento, mergulhar num sussuro e sonhar com a chuva. Eu inflada e colorida, feito bola de sabão.
Lembro um livro que li na infância, A menina e o vento. O vento a envolve e a leva, a convida a ser brisa do mar. A menina diz: "a gente acostuma tanto a ser gente que não quer deixar de ser".
E eu, que tinha me esquecido o quanto é bom ventarolar, sim, quero ser brisa do mar.

1.11.07

nua

estava nua e exposta. minha cara de gozo. tudo ali pra quem tivesse uma senha. e todas as palavras, as histórias, noites, beijos, vacilos. exposta. pra quem quiser ver. basta digitar no google. pra ver mais, arrume uma senha. pronto.
o incômodo durou uma tarde. o por quê teve resposta no banho, quase escuro, água quente, diluídas as dúvidas. que artista não ficou em carne viva, à espera da fome alheia, pronta pra lhe devorar e saciar a ânsia, lhe preencher o vazio. qual nudez não foi castigada. que frase não foi culpada por surto ciumento do meio da madrugada. todo artista é um puto, vende sua intimidade e sua loucura, pra alimentar pobres almas, ávidas por um consolo, um alento, uma explosão, uma razão. revire a alma do avesso e tinja com um tanto de cor, lance luz indireta, descreva com frases absurdas. expor é transpor. antes ir do que ficar. quer mais? decifre a senha e venha.

9.10.07

efeito pimenta

lounge6

Assim: todos os canais e portas e poros abertos. Sempre assim. Cabeça vazia, corpo repleto, inteiro. Ele voltou pra me lembrar como é o lado de lá. Me intriga e me entorpece a cara que ele faz. Dolorida, olhos de endorfina. O que me espanta é o veneno, a ardência. E quanta petulância: como ousa? Me tirar do sério, virar mulé da vida, desatinada, tipo ‘faz o que quiser!’. Boca aberta, fio de baba, e fica me punindo quanto mais eu repito não. Assim não caibo nesse copo que transborda e alaga tudo, eu sabia, eu disse, assim não, meu deus, que é isso. Assim eu choro pra conter tanta vontade sem fim, sem chegada, destino, nada. Com ele embarco pra não voltar.

8.10.07

onda


















Queria um daqueles de tirar o fôlego, perna bamba, desorientada. Quem vai sacolejar essa coisa? Alguém, por favor, estremece tudo aqui dentro? Total flat, nem marola.

20.9.07

love keep on working


é bom ouvir a risada dele, a voz dele, mesmo no telefone. é bom lembrar dele, ter saudades dele, sonhar com ele. é bom pensar, gostar e esperar por ele. saber que ele está por perto, que me tem carinho e admiração. basta saber disso. e que delícia sentir as borboletas dançando no meu estômago quando penso no próximo encontro, no próximo beijo. que bom ser assim, uma menina. a menina que existe no meio de todo esse caos. já achei incrível um homem que me fazia mulher. mas ele. ele me faz querer ser uma boa garota.

11.9.07

vermelho

Festinha bem particular. Usei o brinquedinho que ganhei. Ficaria orgulhoso de ver como evoluí na criatividade. Me dei conta de como a coisa é boa. Um pouco duro demais, talvez (nunca achei que reclamaria disso). Consegui encaixar a base, que dá muitas outras possibilidades, na mesa de centro da sala, por exemplo, fica fixo! Vou te falar, é um brinquedo legal pra caralho. Ou caralho de brinquedo muito legal.
A festa era só comigo. E o PJ (esse é o nome dele, leia pi diei), claro. Mas ser vivo mesmo só eu, porque o PJ, apesar de toda a vibração, não tem calor humano. Mas nem por isso a festa ficou sem produção: a casa ganhou iluminação bacana, som bombando, filme rodando no muting e eu também me preparei. Os cabelos já estavam rebeldes da piscina, apenas prendi a franja com grampos. Um top de lantejoulas douradas, calcinha larga de tule preta, meio um shortinho, e sandália de salto. Festa assim tem essa vantagem: a escolha do traje é totalmente livre, sem risco de alguém perguntar quanto custa o programa. Deixei a boca bem vermelha, sombra dourada, rímel, corretivo pra tirar a olheira. Pronta pro PJ. Ele vibrou do mais fraco ao mais forte, por baixo e por cima, lambidas e no espelho vi que daria uma bela foto, ele em vermelho translúcido na minha boca. Acho que foi a TPM que me deixou tão disposta, a proximidade dos dias chatos aumenta a vontade de compensar com coisas prazerosas. Por isso o chocolate, junkie food e sexo. Sorte do PJ, tava inspirada. Até dei uns tapas nele, coisa que acho que só ele mesmo seria capaz de tolerar. Quando acabou, não dormi. Tomei uma água, dei uns tragos no beck e repeti a dose. Não tive vontade (nem medo) que ele fosse embora. Fiquei com uma preguiça danada e deixei que ele dormisse ao meu lado, todo melecado. Apertei o botão e ele apagou. Acho que estou apaixonada.

31.8.07

resposta

cama de luz2

E-mail que nunca tem resposta. “Nunca” pode ser um dia, uma semana. Ou simplesmente nunca. Os motivos pra falta de resposta do e-mail, da sms, do msn, da ligação não atendida, são sempre os piores. Pelo menos nas possibilidades criadas pela nossa cabeça. Começa numa esfera sensata pra descambar nas mais terríveis idéias, induzidas por total carência, insegurança e insanidade moderna.
Primeiro você pensa, ok, não deu pra atender. Ou, ele não deve estar no computador agora. Será que a mensagem chegou? Às vezes demora, às vezes não chega, se mando outra pode parecer desespero. Espero. Vai ver não abriu o e-mail pessoal, devia ter mandado no outro. Pode ter deixado pra responder com calma. Era um e-mail bonito. Será que disse alguma merda? Será que não gostou? Talvez me ache uma idiota. Pode ser que tenha me precipitado, foi estúpido o que escrevi, sabia, lendo agora me parece tão bobo. Devia ter ligado em vez de mandar mensagem de celular. Agora tenho que esperar, mas se não chegou nunca vai ter resposta.
Olha que linda a carta da Ana. To até vendo ela em Amsterdã, com seus passos delicados, contemplativa. Vou responder depois, com calma, e dizer que li enquanto pintava as unhas de roxo. Hum, tem mensagem! Podia ser alguém, sempre penso isso. Por favor, não seja uma promoção da Tim... Esse cara, puxa. Será? Quero sair hoje não, to podre ainda da noite passada, dei pra caramba. Melhor não, outro dia. Ih, não tem crédito pra responder, depois ligo.
Nada do e-mail. Mas por que? Uma resposta qualquer, por consideração, podia dar! Me tornei patética? Que foi que eu fiz?
Ah, não. Agora não to a fim de falar com você, veja bem, o status é “ocupado”, o que me dá o direito de não responder, fingir que não to na mesa, tenho muita coisa pra fazer (ericatz* says: so 1 min, to entrando numa reunião)
- Alô? Então, to aflita... porque você não me responde?

27.8.07

tudo ou nada



















Prefiro o grito, a ousadia, a verdade. Prefiro escancarado, o dito e feito. Lágrimas, confissão, olho no olho. Prefiro o caos, o barulho. A fúria, o fogo. Prefiro o inferno.
O brilho ofuscante, o perigo eminente, sol escaldante. Antes arder, suar, chorar, berrar. Melhor sujar, lambuzar, quebrar. Prefiro o risco, o tombo, a cicatriz. Prefiro tudo a me danar por nada.

22.8.07

this is it?

não não não. vou dizer que não. mesmo que ele fale comigo daquele jeito, mesmo que me chame daquele apelido, curto, sonoro, pianinho. daquele jeito que nunca ninguém.
não. fico aqui bem quieta. vou fingir de morta. assim vai ser meu protesto. silêncio.
vai precisar mais que apelido pra me amolecer. talvez um novo. talvez mais que palavra.

14.8.07

achados e perdidos

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Achou um grampo dourado na cabeceira. Sim, ela usava grampos. Mas os cabelos eram castanhos, portanto, usava grampos marrons. Mas estava ali, um grampo dourado. Com certeza uma loura havia passado por ali. Havia soltado os cabelos e pousado sobre a cabeceira o grampo, despretensiosamente. É provável que já nem se lembre dessa cena, mas sim do que veio depois: Renato pegando seus cabelos, ela tombando a cabeça pra trás, um olhar fixo, longo, a boca oferecida. Depois de um beijo, ele senta na cama e pede que ela tire a calça – mas deixe a calcinha, ele diz. Gosta de calcinhas. Fica a olhar, soberano e demente. A vira de costas pra alisar a bunda, apertar as polpas, boca aberta. O safado com certeza meteu a cara ali, lambuzou-se. Ficou horas virando e revirando a moça loura, cada vez de um jeito, incansável. Ele era assim. As garotas apelidaram. Incansável. E não era aquele treco chato de cara-que-nunca-goza e dá uma aflição. Era como dia na praia. Você deita no sol, dá um mergulho, deita no sol denovo, deita na sombra, dá uma volta, toma uma cerveja, come um queijo coalho, deita no sol, dá mergulho... assim vai, sem cansar, até se fartar e voltar pra casa.

Um grampo dourado. Renato no banho. Ela descabelada na cama amarrotada. Seu grampo marrom. Onde foi parar? Se levanta. No espelho grande que tem na porta do armário vê que o cabelo ta uma droga. O grampo! Procura na cama, embaixo dos travesseiros, no chão. Nada. Na mesa de cabeceira, só o brilho dourado do gancho de metal da loura. Pensa em largar o seu por lá. Haveriam outros? Mais grampos e presilhas, elásticos? Que se dane. Mira a mesinha de cabeceira. Tem uma pequena gaveta. Deve ter camisinha, bilhetes, KY? Se debruça na cama e abre devagar. Fotos, camisinhas (sim), um livrinho de orações. Quando remexe um pouco, se depara com um monte de grampos espalhados no fundo da gaveta.

A mesma cena se repete na sua cabeça, cada vez com uma mulher diferente: Renato pegando seus cabelos, ela tombando a cabeça pra trás, um olhar fixo, longo, a boca oferecida. Tem marrom e tem dourado. Pega um, prende as madeixas embaraçadas num coque. Veste a calça, a regata preta fedendo a cigarro, o sapato de oncinha. Bate na porta avisando que está atrasada. Na rua, os olhos borrados do rímel, lamenta a falta dos óculos escuros. Em casa, tira a roupa pro banho e lembra: a calcinha. Deixou em algum lugar do quarto a calcinha azul royal. A favorita. Imediatamente fica tranqüila. Ele deve guardar, afinal de contas. Numa gaveta especial, com cores e modelos sortidos.

13.8.07

sick and tired

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de sim, de não. de ressalva. previamente programado. pra não ir. cadê aquele cara incansável pra me levar? pra longe, pro mar, pra arder. cadê? e o que eu quero, ninguém pergunta? é só me dá me dá me dá. eu também quero, sabia? to fodidamente apaixonada. adivinha? não posso ter. não quero. quer saber? perdi o tesão. isso mesmo. nada de sacanagem. muita putaria deu nisso. pronto. enjoei.

2.8.07

me, drum and bass

fecho os olhos. o baixo vibra, lá embaixo. talvez estejam me olhando. danço. sentada, mas danço. baixo, bateria. baixo (é aí que faço biquinho de dummmmm). faz tempo que não me jogo na pista e me entrego. alone. leave me. certas coisas uma garota só pode fazer sozinha.

31.7.07

tudo assim

Fiquei ouvindo aquela música como uma prece. "É dia de te ver, que sorte grande".
E não é que deu certo?
***
Não tô conseguindo acordar. Meu quarto fica muito escuro, nem se nota quando amanhece. Atrasada. Não tenho horário, mas tenho chegado atrasada. Frio (vinho, beck, chocolate). Duro volver dos sonhos. Duro não lembrar. Essa noite tinha uma galera. Tinha você. E não sabia se você ia pra tal praia que todo mundo ia. Fui, na esperança. De vez em quando tem você. Se tem, não sei. Se não tem mais, já vem.
Tenho mania de relacionar palavras que eu digo com letras de música. E de repetir sempre a última palavra que disse numa frase. É irritante. Mas quem gosta de mim costuma assimilar esse traço esquizofrênico como uma graça. É que isso me dá tempo pra pensar. É que quando termino de falar já tô pensando em outra coisa. Desconexo. E muitas vezes não digo, porque já pensei demais. Tarde demais?
***
Meu coração ficou todo amarradinho. As palavras acuadas. É mesmo, meu amigo, uma grande confusão. Mesmo quando está tudo assim, calmo. O desejo é essa taça (a mais) de vinho.
***
Tem gente que pode viver assim, dando um pouco a cada vez, um pouco a cada um. E tem gente que não sabe dar se não for tudo, de uma vez. Porque distribuir assim parece injusto. Sempre alguém fica com menos. Culpa por não dar o tanto que se pode. Nunca é o suficiente.
***
Não pense que estou pensando isso. Não vai que pensar que. Deixa eu me explicar. Você pode fazer a idéia errada.
Confesso: não sei qual é a idéia certa. Não sei.
***
O vapor do chuveiro fez uma névoa. A espuma fez deslizar. A água levou tudo.