28.2.07
21.2.07
amor por você
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8.2.07
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1.2.07
flor no cabelo

Ah, eu não tô nada poética. Isso é muito subjetivo, coisa de filosofar o que é da carne não aplaca a fome. Ah, que coisa! Esses fios aqui dentro que ligam e religam e disparam e agitam. Tá vendo? Eu to sentindo. É a tal da química? As mesmas coisas continuam me chamando, atraindo. Só sei que é assim. Sem filosofia. Fatos. Verdades. Eu tô viva! Não tem uma chave que desliga. Tem controle? Talvez. Como pegar ou largar. Assim, você sabe. Eu pego. Ah, que coisa. Coisa é coisa e não precisa explicar. Você sabe. Sabe? Então. É isso.
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31.1.07
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Odeio luz forte, luz fria, ar condicionado. Não gosto que usem minhas coisas sem pedir e tenho ciúme do meu travesseiro. Faço uma zona mas quero tudo bem arrumado. Me enerva arrogância, ignorância, grosseria. Falta de cuidado, de respeito, de noção. Não gosto de enrolação. Me entedia caretice, formalismos, falta de educação. Acho muito irritante ver alguém comendo sem modos, que fale carregado o sotaque paulistano. Odeio Raul Seixas e rockinhos bestas, essa coisa emo, sei lá. Odeio, mais do que tudo, vomitar, trauma de infância. Não como camarão, ostra ou polvo. Não gosto muito de peixe. Não gosto de ser controlada, mesmo porque é impossível. Ainda não gosto de acordar cedo, mas já consigo.
Sonho conhecer Paris, falar francês, fazer filmes, cantar sem vergonha vestida de diva num palquinho enfumaçado. E como previa meu primeiro ex-namorado, ter um livro publicado.
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19.1.07
especiaria

Melhorei meu prato tailandês - vai gengibre, vai curry, vai pimenta, malagueta. Noz moscada, pimenta do reino, páprica picante. Casca de limão, manjericão, cravo, canela. Vai coco, que o doce vai bem juntinho do ardido. Os sentidos em brasa, coração fogueado. Mas doce, enfim. Com arroz jasmim.
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17.1.07
vício
- Promete que nunca?
- Me arruma um adesivo, desses que colam na pele e descolam a paixão da gente.
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16.1.07
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8.1.07
rápido

Não tenho como. É isso. É assim. Agora sei. O sexo não salva sempre, nem sempre. Mas sempre ajuda. Mesmo que não seja tão bom. Mesmo assim uma gozada ok. Você venceu. Tava tudo perdido e aparece esse cara precipitado. Odeio quando passa rápido. E eu não tenho tempo de sorrir pensando que não vai acabar. Passou.
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4.12.06
transcrição

Sou tímida. Verdade, tá rindo de quê? Tá, eu sei que dou pinta de atirada... Posso até ser, mas tem que me pedir. Não é pedir assim, bobo. Tem que me ganhar, assim, pra me liberar. Fico tímida sim. Acho que é até sexy. Ah, porque rola uma transformação, sabe? Porque gosto de conversar, me excita. É, conversar sacanagem também. Putz, é bom demais quando acontece isso! Tem que estrar na sintonia, fazer essas coisas fora de hora pode até ofender. Mas eu gosto sim. Nos seios. Acho que é porque tem uma energia concentrada ali, que não cabe (rs). Aí transborda... Isso. Você acha? Não sei, nunca pensei nisso. Índio tem essa coisa livre com o sexo... pode ser, tenho sangue de índio. Olha, desculpa, mas acho essa pergunta meio besta. Fantasia é o dia-a-dia, é fechar os olhos, é um estalo, um segundo. Fantasia é fazer denovo o que foi gostoso ontem. Ah, mas tem uma coisa (rs). É engraçado. Mas isso é um segredo. Já contei pras minhas amigas e elas começaram a prestar atenção(rs)... É foda! É deitar nas areias do Rio, de óculos escuros(rs). Ficar observando os cariocas com aquelas sungas. Mas é de sacanagem mesmo! Sabe o que rola? Cara, é segredo isso! Ah, rola que os caras parecem que estão todos de pau duro(rs). Ou meia bomba. Aparece o pau deles direitinho, é impressionante! No começo eu achei que era viagem, mas aí comecei a reparar sempre e comprovei. Duas amigas também fizeram esse "exercício" (rs) e viram que é verdade...
Ah, é inspirador, né. Não são só vocês que ficam olhando as bucetas das minas de biquíni. É, nem precisa ser de biquíni. Já olha na calça mesmo. É, pena que não dá pra ver pau de homem de calça. Pena. Já? Foi rápida, né? Nossa, acabei te falando um monte de coisas... Como você é safado! Ah, jornalista é foda, não vale... A saideira? Pode ser.
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15.11.06
assim

Não aguento, não faz assim. Não pára, não aguento. Nossa, como eu aguento? Será que faz mal? Loucura, que coisa. Faz mais, vem, fala comigo. E essa cara de sádico safado sem dó, "não é disso que você gosta?" Não aguento, não pára. Fala mais. Pega, beija, lambuza, se afoga. Esse brilho babão nos olhos. Baba, baby, vale tudo, eu posso, quero. Eu aguento. Ah, não faz assim. Faz, vem, não pára, não pára. Assim. É. Isso... Você ri, né? Não aguento. Faz mais?
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22.10.06
vale quanto pesa

Tem a flor, a sonsa, a ruiva. Tem outras que eu não sei. Tem todas as mulheres, inimigas em potencial, como dizia a Tereza do Milan Kundera. Insustentável leveza do ser. Para Tomas, o ciúme de Tereza é um fardo. Mas o amor por ela é inevitável. Assim como sua procura por outras mulheres. Todas elas rivais de Tereza. Todas as noites nos pesadelos de Tereza. Ela sempre sabe. E Tomas sente esse impulso incontrolável. Mas depois de Tereza, precisa beber um pouco pra ir em frente, pra não pensar. Tereza sabe que ele será sempre assim, e isso é um fardo pra ela. Tereza e Tomas se amam, ninguém duvida. Sem Tomas, a vida de Tereza seria mais leve e, sem Tereza, a vida de Tomas seria mais leve. Mas a vida assim tão leve passa desapercebida. Passa, simplesmente.
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amor de antes

Não importa, se é felicidade de sorrir como você gosta ou tristeza de rolar as tais lágrimas que você tanto teme, sempre quero te dizer, quero te mostrar. E sinto que também você quer me falar, de todas as coisas. Sei que você gosta que eu te ouça, com atenção.
Pra falar de beijos, de aromas especiais, que não basto. Pra falar da lua, pra contar estrelas, ver outros planetas - isso é tão velho pra nós quanto este pedaço de papel que você emoldurou e pôs ao lado de outros quadros de imagens ainda mais distantes. Daquilo que fez você mas já não é.
Seria bom esquecer que você existe. Ou conformar-me com uma existência sem você. Seria bom não me permitir imaginar como vai a sua vida longe de mim, não sentir que você chegou da rua diferente, por ter se sentido vivo desejando experimentar novos sabores.
Seria bom se ainda fosse possível você me olhar com o mesmo profundo e infinito olhar com que me chegava na alma. Seria confortante ter sido a única a merecer suas declarações, traduzidas nas palavras exatas, com romantismo de um conto de fadas que não sei por quê permeia a ilusão de amor perfeito que toda mulher carrega consigo, a vida toda, apesar do peso gigante que a realidade vai adquirindo com o passar do tempo.
Esse tempo que passa e vai transformando tudo sem dó, não é capaz de mudar a inocência dos sonhos de menina. Eu disse que meu amor é eterno. Porque a realidade da vida e do tempo me dão certeza que ninguém poderá me fazer sonhar meus sonhos mais secretos de um jeito tão real.
Então digito teu e-mail. Fico cheia de inspiração - a dor ou a espectativa de uma nova paixão são as melhores, já notou? Mas você já me respondeu assim: "que bela e triste costura de palavras". Eu te impressiono, afinal. Mas te entristeço. Eu queria, ainda, ter o dom de te fazer sorrir. De despertar tua encantadora doçura, tua atenção de derreter e desmanchar até virar calda pra te envolver até os poros.
Mas você gosta de desafios. E sabe que não precisa muito pra me derreter. Por mais que eu gele, você sabe. Você sabe bem de mim, só que não é tudo. E foi engano achar que não me tenho tanto amor. Me perco, sim. Mas sempre me acho. E me amo desesperadamente.
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22.8.06
garota do abc

Acabei clareando o cabelo. Eu criticava e, agora, deu vontade. O cabelereiro disse que ia ser como se eu tivesse passado um mês na praia. E não é que ficou mesmo um luxo? Eu gostei. Até meus amigos mais tradicionalistas aprovaram. Depois o o Décio, o cabelereiro, quis secar tipo fazendo escova, deixando liso, e eu tô só usando o cabelo revolto, ondulado. Acho cabelo liso assim meio de pat. Mas acabei deixando ele fazer liso também. Cabelo de rica!, ele falou. Mas não foi por isso que acabei gostando. Achei que tava diferente e mudar é sempre bom. Acho que é isso: um tantinho loura, um tantinho lisa, um tanto melhor, agora que também comecei a fazer ioga. Sim, eu to na moda: cabelo clareado, ioga e uma saia amarela rodada. Ah, um sapato dourado... Vixe! Parece que emperuei. Mas, acreditem, ainda sou uma perua meio mana, suburbana, de são bernardo, do rudjão. Ainda uso All Star e meus cabelos já estão rebeldes again. Ainda fumo e bebo. Ainda mordo a boca e fico dias com o esmalte descascado. Ainda falo véia, mana, vamo jascá. E ainda, sim, continuo amando drum'n'bass.
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6.8.06

vire a esquina, dobre à esquerda, passe os obstáculos, faça o balão, desvie à direita, cruze a próxima entrada e siga em frente. não pare.
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17.6.06
esse cara

quando chego no prédio, o vento desprende aquele perfume dos meus cabelos. na boca ainda o gosto de beck misturado com algo doce e cítrico. simples e mágico assim, como o caldo que se esparrama na língua na primeira mordida. inunda a alma de satisfação. sorriso claro, sem palavra me beija. mais sorriso, branco e perfeito. digo que gosto. gostei. quero. e ele dança o rap de cor, boné fincado tirando onda. dança na mesma temperatura, olha só, também sua nas mãos. abraço, no tecido fino da camiseta quase pele tão morena e músculos alongados no mar. uma fina corrente prateda no peito tão delineado. me faz olhar nos olhos, pede assim, olha aqui, gosto de você. não tem nem palavra, cantada ordinária, gata, nada disso, só me olhar e dançar no mesmo grau, tão suave e manso e tudo que eu queria, quando cheguei e vi. me deixa louca. embevecida. a veia saltada no pescoço. outro abraço e vejo tudo, sinto as costas, a cintura, o ventre. quero me livrar da roupa, noite sem fim naquela pele. nem te falo, atordoada. total. que cara foi esse?
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12.6.06
tango

Sonhei que você ia embora. Que não me perdoava. Dizia "te amo" entre lágrimas quando acordei, assustada. Tenho é medo de te amar. Dá trabalho amar, é penoso o jeito intenso que eu amo. Mas quando começo a sentir teu cheiro na lembrança, quando sorrio no teu abraço, sua, deixo de pensar, então acontece. Uma merda qualquer, pode ser ou não de verdade, pode ser mal entendido ou vacilo mesmo. Acontece de separar você de mim. Meu amor por você se esconde. Ou eu me escondo dele. Medo que você também sente, porque sou difícil, eu sou foda. Faço um monte de besteira. Mas não é nada disso. Quer dizer, é isso. Mas porque sou medrosa. Porque você me enxerga. Porque tá tudo aqui e insisto em não mostrar. Porque você vê e quer que eu mostre. Porque sei que você me faz transbordar. Porque insisto na lama e em me danar. Porque tudo pode ser simples mas adoro complicar. Porque você também curte um drama, uma coisa meio tango, um beijo de despedida com meu batom 210 na esquina da Alfonso Bovero com a Caraíbas. Você me vê. Sabe de mim. Vou embora e não hesito em olhar pra trás. Já começo a te esperar quando some atrás da banca de jornais.
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12.5.06
flores partidas

Você podia ser minha amiga. Acalentou meu coração moribundo, desgraçado. Uma razão, entre muitas, pro meu ciúme achacado. Mesmo assim, como um anjo, falou ao meu ouvido, sopro de calor, consolo.
Respiração presa num susto, salguei a boca pra tirar o amargo. Cantei o mais alto que pude, sem desafinar, sem me importar com os vizinhos. A dor vibrando em meus bemóis e sustenidos.
Você, que me chama de flor, e assim é aclamada. Você, uma flor cultivada com carinho, minha aflição. Você, com esse precioso frescor de juventude, com o ritmo delicado da tua escrita, podia me fazer desabrochar denovo pra resplandecer beleza. Frágil ainda, mas cheia de vida, viço.
Não fosse esse amor teimoso, demente, podia ser minha confidente. Isso se já não fosse essa flor cobiçada. E se minhas pétalas já não tivessem sido quase todas, uma a uma, arrancadas. Bem-me-quer, mal-me-quer. Ainda assim, bem te quero.
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7.5.06
augusta

Tinha nome de flor. Os olhos profundos, verdes d´água.
_Já vai embora? toma alguma coisa, é de graça.
_Mesmo? Caipirinha, então.
Encarava adivinhando, logo sorria seus dentes imperfeitos. Sentadas, numa fileira. Algumas dançam. Outra mete a cara de um gringo entre os peitos negros, imensos.
_olha essa: a barriga maior que os peitos!
Ela repete a risada repentina, exagerada, pra logo calar com os olhos perdidos. guarda seu mundo num espanto que nem sabe que mostrou. E pergunta:
_Você tem namorado?
_não.
_Gosta de mulher?
_depende. e você, gosta?
_não.
Vem uma música melosa, cantada em italiano, dessas de novela. Duas mulheres se beijam sob o foco da luz. Tiram as roupas. Lambem-se nos peitos e na buceta. Uma, exuberante. Outra, bem masculina. Peitão e peitinho, bundão e bundinha. O show acaba. Começa um forró. Rose, no relógio:
_meu gringo tá esperando, são 2h30.
_então vai encontrar teu gringo.
_mas onde vocês vão? eu também vou.
Vai pro banheiro, ver se descola algum. Nada. Então vamos lá beber, ela diz. Caipirinha, então. Ela pede sangue de boi. Com gelo. Toca drum´n´bass. Ela ensaia uma dança de rebolar até o chão. Logo ri, desenfreada. Tomo mais uns goles, ninguém me vê. Estou invisível. Já Rose. Me chama pra dançar.
_vamos lá dançar no cano!
_ah, não, vai você.
_vaaaamos!
Me puxa. Resisto. Talvez com uma roupa mais apropriada. Ela de vestido curto, rodadinho. Sandália de salto. Dois sujeitos olham e riem. Eis que surge a proposta. Muito barato. Renegocia. E o gringo? Um espanhol por dois bolivianos.
Rose me olha com aquele céu dentro dos olhos, infinito inalcançável. Some na fumaça. A noite silencia.
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3.5.06
recuerdos

*No Rio, quando a gente foi pra Lagoa, depois voltamos pro hotel. Me fez de tua, de puta, de mulher. Conduzida como dama, segura pelas mãos, os pés e a cabeça.
*Quando voltou da Europa, ou de Nova York, só lembro que fazia tempo. Saudade. Te esperei cheia de vontade, apesar do meu cansaço, alguma madrugada editando ou coisa assim. Mas acendi as velas, pus a música e você chegou, com presentes, com teu abraço de apertar na medida. No fim, aquela coisa de não caber em mim, como se você pudesse se apoderar dos meus desejos, ler meu pensamento, respirar no meu tempo.
*E aquele dia, quando cheguei na sua casa, o mesmo abraço de enlaçar a alma, o chinês a caminho, meu sorriso imediato, só de estar ali. E quando me entrou na cozinha, com beijos de urgência. O mundo me escapou e os pensamentos evaporaram pra tuas mãos calarem.
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