5.6.07

tua boca


Só via tua boca. Tua boca. Via tua língua. Ela viajava, eu delirava e sorria e te olhava, tua língua. Tua boca, uma carne de língua e dentes, brancos, minha língua nos teus dentes, lisos, meus dentes na tua carne que é essa boca. Ela é o começo e o fim, a entrada da virada, sem voltar.
Sempre ela, me chamando, um convite irrecusável, peguei teu rosto pra beijar. Tua boca. E assim não canso de repetir, tua boca. Não canso de olhar. Vamos acabar com essa agonia, você disse. O beijo interrompido. O beijo inacabado, adiado. O beijo que espera. Agonia, que remédio. Tua boca.

28.5.07

espera


Você não sabe o que me dizer? Então diga: “não sei o que te dizer”. Porque isso quer dizer muita coisa. E assim eu encho meu coração com um calorzinho de alento porque algum efeito eu causei. O efeito de te deixar confuso, sem saber o que dizer. Ou mesmo sabendo, com receio de dizer a coisa errada, ou a coisa certa na hora errada.
Só não deixa esse silêncio, o e-mail sem reply, que coisa feia. Eu checando de hora em hora, pra ver se não tem teu nome em negrito na caixa de entrada. E se tiver, terei medo. Meu coração vai disparar nos segundos que o gmail demorar pra abrir a mensagem. Uma parte dela já vai aparecer logo depois do subject. No gmail é assim, não sei se pior ou melhor antecipar umas palavras. Pode dar a idéia errada. O começo é só o começo, não é mesmo? Depois vem muita história. Que não acaba.
Fala alguma coisa. Nem que seja que vai deixar pra depois. Mas diz que ainda não é o fim. Me deixa esperar. Que nessa espera eu posso imaginar. Eu posso fazer planos e me preparar para o dia que você me disser sim. Posso pensar na tua reação quando eu fizer as coisas que você gosta. Quando eu puder experimentar as calcinhas novas que eu comprei, daquelas tranparentes. lembra? Posso ficar feliz com teu sorriso na minha lembrança, falando bobagem. Qualquer coisa serve. Mas fala.

7.5.07

oferenda


no peito, no baque, na quentura, entre as coxas
vacilo, um suspiro, treme
boca-carne,
olho teu. faísca, risada,
água pra molhar.
apetece, ofereço.

na garganta, grito abafado
beiço lambuzado.

24.4.07

copia e cola

flutua

ei,
não me mandaste o textinho, né, safado? eu te perdôo. e não perco a esperança de ver teu nome, em negrito, na minha caixa de entrada. com anexo. ou manda no corpo do e-mail mesmo.
como é sensual a linguagem internética, já reparou?
você manda no corpo do e-mail e eu dou control C control V.

26.3.07

ferve!

força

Te dar tudo e mais um pouco. Ajoelhar a teus pés e obedecer. O que você quer? Eu faço. Tudo pra ver tua cara de louco, pra escutar tua voz de demônio, pra te deixar com raiva de tanta vontade. Tudo pra gozar em cada centímetro, que tamanho é documento, mesmo assim, com essa identidade secreta, que você consegue o quiser. Você já nasceu um puto, um safado. Ninguém te ensinou. Quando te vi sabia. A mim não enganou: um diabo. Vendi minha alma sem pestanejar. E ganhei o céu no inferno.

7.3.07

LIÇÃO DE CASA

various 040

Não inveje os dons alheios. cada qual tem um dom peculiar. Salve Maria.

28.2.07

samba


Minhas mãos suam, minhas pernas vacilam, mas, ainda bem, estou sentada e você segura minha mão esquerda. Os músculos da minha face brigam com meus neurônios transmissores - sorriso (nervoso). Então meu coração samba em descompasso e perde pontos – os jurados não perdoam. Tudo culpa daquela comissão de frente ostensiva, que entrou rápida e estabanada. Eu, bateria inteira: tamborins, bumbos e pandeiros. Surdos. E lá se foram a comissão de frente, as alegorias, os destaques e as rainhas gostosas que sangraram os pés nas sandálias. Se foi o carnaval, a avenida esvazia e cala. Já a bateria, não pára, pois é essencial.

21.2.07

amor por você


A primeira vez que te vi foi assustador. Que boba que eu sou. Um tremendo negão com aquela coleira prateda, língua de fora, excitado. Só muito tempo depois pude te conhecer de verdade e saber que era muita energia e espontaneidade que não cabiam em você, mesmo você sendo tão grande. Mas tua beleza era assim: era tanta que atraía mas assustava. Lembra como todo mundo falava de você em Alagoas, Mangue Seco, Praia do Forte, Caraíva? Também , com aquele acessório que teu dono te arrumou, né? Você tinha sua própria mochilinha nas costas e levava sua própria água. As crianças surtavam, "olha, mãe, o cachorro tá de mochila", e você ficava na sua, como se não fosse com você aqule estardalhaço na praia toda.
Mas naquela primeira noite que a gente se encontrou, naquela casa de vila onde o xô-piti morava, eu não sabia muitas coisas sobre cachorros. Mas foi com você, Jack, que eu aprendi a entender esses bichos. Claro que você era o mais bacana. Aprendi a falar com você, mesmo não sendo a língua que o xô-piti sabe falar, eu passei a conversar. E claro que você não sabia português, mas tenho certeza que você entendia minha intenção.
A gente se ligava muitas vezes na dor da saudade que ele deixava, na devoção que a gente tinha por ele. E a gente sabia que ele voltava, mas que não podia exigir. Quando eu olhava nos teus olhos cor de mel, quando você fazia aquele olhar doce, a gente se entendia.
Fiquei feliz quando você passou também a me ouvir e responder meus comandos. Eu podia te deixar solto na praça, você corria longe procurando as podreiras do lixo que você adorava comer, então eu chama "Jack!", e você logo suspendia a orelhas e vinha correndo em minha direção, pra se sentar calamamente ao meu lado.
Nas noites que ficávamos na sala esperando o xô-piti, ao ouvir o barulho do motor do carro dele, você logo me olhava como quem diz, "é ele". Mais emocionada fiquei quando me hospedei com vocês aquele mês, e dormia sozinha em meu quarto improvisado no porão... Você dormia um tempo comigo e de manhã, me visitava.
Chorei muito ao ver nossa foto, lado a lado, numa sombra em alguma praia da Bahia. Eu sorria para a câmera e você, tão lépido e robusto ali na areia, posando também. Aliás, acho que você gostava de posar pra fotos... era meio exibicionista, assim como eu.
Lamento nunca ter sabido direito fazer o carinho na orelha que você tanto gostava. Eu tentava, você até curtia, mas sei que não chegava lá... Esse carinho só o xô-piti sabia.
É Jack, a gente se entendia. E que falta você faz, que tristeza te perder. Ver teu prato de ração velho, o canto do quarto que você dormia, tu coleira solitária atrás da porta. Você, que tantas vezes consolou meu choro deitando a cabeça no meu pé. Agora choro por você. E o que me assusta é saber que não vou mais te ver.

8.2.07





Quem inventou esses poréns? Quem pôs em mim asas e me tirou o céu?

1.2.07

flor no cabelo

perfil_flor

Ah, eu não tô nada poética. Isso é muito subjetivo, coisa de filosofar o que é da carne não aplaca a fome. Ah, que coisa! Esses fios aqui dentro que ligam e religam e disparam e agitam. Tá vendo? Eu to sentindo. É a tal da química? As mesmas coisas continuam me chamando, atraindo. Só sei que é assim. Sem filosofia. Fatos. Verdades. Eu tô viva! Não tem uma chave que desliga. Tem controle? Talvez. Como pegar ou largar. Assim, você sabe. Eu pego. Ah, que coisa. Coisa é coisa e não precisa explicar. Você sabe. Sabe? Então. É isso.

31.1.07

profile




Eu sou livre, não quero ser limitada. Sou meio louca, exibida, sexual, sensual, rio alto, sou passional. Gosto de surpresas, de romance, de dançar, sou uma bomba atômica – sai de baixo. Sou doce, sou o demônio, sou indecisa, ciumenta, mandona, sou risonha, ótima cozinheira, sou devota, gosto de agradar, de fazer massagem, de servir, gosto de ser mimada, elogiada, de massagem nos pés, de beijos na nuca, na dobra do braço, que me olhe nos olhos bem lá dentro, de ser cobiçada. Gosto de escrever sacanagem, de pensar, ver, fotografar e fazer.

Adoro me maquiar, comprar batons e esmaltes, ir no brechó, salto alto, all star. Gosto de pequenas extravagâncias, como tomar prosecco à beira-mar, comer brie com geléia, cosmopolitan no balcão do bar.
Odeio luz forte, luz fria, ar condicionado. Não gosto que usem minhas coisas sem pedir e tenho ciúme do meu travesseiro. Faço uma zona mas quero tudo bem arrumado. Me enerva arrogância, ignorância, grosseria. Falta de cuidado, de respeito, de noção. Não gosto de enrolação. Me entedia caretice, formalismos, falta de educação. Acho muito irritante ver alguém comendo sem modos, que fale carregado o sotaque paulistano. Odeio Raul Seixas e rockinhos bestas, essa coisa emo, sei lá. Odeio, mais do que tudo, vomitar, trauma de infância. Não como camarão, ostra ou polvo. Não gosto muito de peixe. Não gosto de ser controlada, mesmo porque é impossível. Ainda não gosto de acordar cedo, mas já consigo.
Sonho conhecer Paris, falar francês, fazer filmes, cantar sem vergonha vestida de diva num palquinho enfumaçado. E como previa meu primeiro ex-namorado, ter um livro publicado.

19.1.07

especiaria

E.

Melhorei meu prato tailandês - vai gengibre, vai curry, vai pimenta, malagueta. Noz moscada, pimenta do reino, páprica picante. Casca de limão, manjericão, cravo, canela. Vai coco, que o doce vai bem juntinho do ardido. Os sentidos em brasa, coração fogueado. Mas doce, enfim. Com arroz jasmim.

17.1.07

vício

- Promete que nunca?
- Me arruma um adesivo, desses que colam na pele e descolam a paixão da gente.

16.1.07

volver


Na boca, teu caldo agridoce. Nas coxas, tuas mãos ternas como abraço inteiro. Reflexo no espelho, tão mais bonita de praia e mar. Gosto de ver, curvas sinuosas, marcas de biquíni. Sem esteira, sem silicone, sem freak chick e sem chilique!

8.1.07

rápido

ecurvas

Não tenho como. É isso. É assim. Agora sei. O sexo não salva sempre, nem sempre. Mas sempre ajuda. Mesmo que não seja tão bom. Mesmo assim uma gozada ok. Você venceu. Tava tudo perdido e aparece esse cara precipitado. Odeio quando passa rápido. E eu não tenho tempo de sorrir pensando que não vai acabar. Passou.

4.12.06

transcrição

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Sou tímida. Verdade, tá rindo de quê? Tá, eu sei que dou pinta de atirada... Posso até ser, mas tem que me pedir. Não é pedir assim, bobo. Tem que me ganhar, assim, pra me liberar. Fico tímida sim. Acho que é até sexy. Ah, porque rola uma transformação, sabe? Porque gosto de conversar, me excita. É, conversar sacanagem também. Putz, é bom demais quando acontece isso! Tem que estrar na sintonia, fazer essas coisas fora de hora pode até ofender. Mas eu gosto sim. Nos seios. Acho que é porque tem uma energia concentrada ali, que não cabe (rs). Aí transborda... Isso. Você acha? Não sei, nunca pensei nisso. Índio tem essa coisa livre com o sexo... pode ser, tenho sangue de índio. Olha, desculpa, mas acho essa pergunta meio besta. Fantasia é o dia-a-dia, é fechar os olhos, é um estalo, um segundo. Fantasia é fazer denovo o que foi gostoso ontem. Ah, mas tem uma coisa (rs). É engraçado. Mas isso é um segredo. Já contei pras minhas amigas e elas começaram a prestar atenção(rs)... É foda! É deitar nas areias do Rio, de óculos escuros(rs). Ficar observando os cariocas com aquelas sungas. Mas é de sacanagem mesmo! Sabe o que rola? Cara, é segredo isso! Ah, rola que os caras parecem que estão todos de pau duro(rs). Ou meia bomba. Aparece o pau deles direitinho, é impressionante! No começo eu achei que era viagem, mas aí comecei a reparar sempre e comprovei. Duas amigas também fizeram esse "exercício" (rs) e viram que é verdade...
Ah, é inspirador, né. Não são só vocês que ficam olhando as bucetas das minas de biquíni. É, nem precisa ser de biquíni. Já olha na calça mesmo. É, pena que não dá pra ver pau de homem de calça. Pena. Já? Foi rápida, né? Nossa, acabei te falando um monte de coisas... Como você é safado! Ah, jornalista é foda, não vale... A saideira? Pode ser.

15.11.06

assim





Não aguento, não faz assim. Não pára, não aguento. Nossa, como eu aguento? Será que faz mal? Loucura, que coisa. Faz mais, vem, fala comigo. E essa cara de sádico safado sem dó, "não é disso que você gosta?" Não aguento, não pára. Fala mais. Pega, beija, lambuza, se afoga. Esse brilho babão nos olhos. Baba, baby, vale tudo, eu posso, quero. Eu aguento. Ah, não faz assim. Faz, vem, não pára, não pára. Assim. É. Isso... Você ri, né? Não aguento. Faz mais?

22.10.06

vale quanto pesa




Tem a flor, a sonsa, a ruiva. Tem outras que eu não sei. Tem todas as mulheres, inimigas em potencial, como dizia a Tereza do Milan Kundera. Insustentável leveza do ser. Para Tomas, o ciúme de Tereza é um fardo. Mas o amor por ela é inevitável. Assim como sua procura por outras mulheres. Todas elas rivais de Tereza. Todas as noites nos pesadelos de Tereza. Ela sempre sabe. E Tomas sente esse impulso incontrolável. Mas depois de Tereza, precisa beber um pouco pra ir em frente, pra não pensar. Tereza sabe que ele será sempre assim, e isso é um fardo pra ela. Tereza e Tomas se amam, ninguém duvida. Sem Tomas, a vida de Tereza seria mais leve e, sem Tereza, a vida de Tomas seria mais leve. Mas a vida assim tão leve passa desapercebida. Passa, simplesmente.

amor de antes

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Não importa, se é felicidade de sorrir como você gosta ou tristeza de rolar as tais lágrimas que você tanto teme, sempre quero te dizer, quero te mostrar. E sinto que também você quer me falar, de todas as coisas. Sei que você gosta que eu te ouça, com atenção.

Pra falar de beijos, de aromas especiais, que não basto. Pra falar da lua, pra contar estrelas, ver outros planetas - isso é tão velho pra nós quanto este pedaço de papel que você emoldurou e pôs ao lado de outros quadros de imagens ainda mais distantes. Daquilo que fez você mas já não é.

Seria bom esquecer que você existe. Ou conformar-me com uma existência sem você. Seria bom não me permitir imaginar como vai a sua vida longe de mim, não sentir que você chegou da rua diferente, por ter se sentido vivo desejando experimentar novos sabores.

Seria bom se ainda fosse possível você me olhar com o mesmo profundo e infinito olhar com que me chegava na alma. Seria confortante ter sido a única a merecer suas declarações, traduzidas nas palavras exatas, com romantismo de um conto de fadas que não sei por quê permeia a ilusão de amor perfeito que toda mulher carrega consigo, a vida toda, apesar do peso gigante que a realidade vai adquirindo com o passar do tempo.

Esse tempo que passa e vai transformando tudo sem dó, não é capaz de mudar a inocência dos sonhos de menina. Eu disse que meu amor é eterno. Porque a realidade da vida e do tempo me dão certeza que ninguém poderá me fazer sonhar meus sonhos mais secretos de um jeito tão real.

Então digito teu e-mail. Fico cheia de inspiração - a dor ou a espectativa de uma nova paixão são as melhores, já notou? Mas você já me respondeu assim: "que bela e triste costura de palavras". Eu te impressiono, afinal. Mas te entristeço. Eu queria, ainda, ter o dom de te fazer sorrir. De despertar tua encantadora doçura, tua atenção de derreter e desmanchar até virar calda pra te envolver até os poros.

Mas você gosta de desafios. E sabe que não precisa muito pra me derreter. Por mais que eu gele, você sabe. Você sabe bem de mim, só que não é tudo. E foi engano achar que não me tenho tanto amor. Me perco, sim. Mas sempre me acho. E me amo desesperadamente.

22.8.06

garota do abc





Acabei clareando o cabelo. Eu criticava e, agora, deu vontade. O cabelereiro disse que ia ser como se eu tivesse passado um mês na praia. E não é que ficou mesmo um luxo? Eu gostei. Até meus amigos mais tradicionalistas aprovaram. Depois o o Décio, o cabelereiro, quis secar tipo fazendo escova, deixando liso, e eu tô só usando o cabelo revolto, ondulado. Acho cabelo liso assim meio de pat. Mas acabei deixando ele fazer liso também. Cabelo de rica!, ele falou. Mas não foi por isso que acabei gostando. Achei que tava diferente e mudar é sempre bom. Acho que é isso: um tantinho loura, um tantinho lisa, um tanto melhor, agora que também comecei a fazer ioga. Sim, eu to na moda: cabelo clareado, ioga e uma saia amarela rodada. Ah, um sapato dourado... Vixe! Parece que emperuei. Mas, acreditem, ainda sou uma perua meio mana, suburbana, de são bernardo, do rudjão. Ainda uso All Star e meus cabelos já estão rebeldes again. Ainda fumo e bebo. Ainda mordo a boca e fico dias com o esmalte descascado. Ainda falo véia, mana, vamo jascá. E ainda, sim, continuo amando drum'n'bass.