25.4.05

tem jeito?

mergulho21
não tem quem salve isso? um especialista, alguém experiente. tá, já procurei, nada. escuta, se não tem salvação é melhor avisar. mas eu preciso saber. não, não adianta puxar pela mão... bóia foi a primeira coisa que tentei: escorrega. ó, você não tá entendendo, já foi boca-a-boca (e olha que o salva-vidas era bem gostoso), até equipe de resgate! ei, é claro que sou paciente... fico pensando o que pode acontecer se não sair dessa. ah, sei lá, não dizem que tudo tem limite? remédio? todos. incluindo os não lícitos, meu bem. o quê?! EU é que tenho que me salvar? isso é coisa que se diga pra gente pirada? e depois você é bem engraçado... é o primeiro a me atirar na frente do perigo: águas tão limpas, brilhantes, calmas, um azul tão claro. aí fica aquele calor me incomodando, começo a suar sem parar, eu nesse inferno e a água ali tão, tão... me jogo. pronto. me joguei denovo. ai, é tão bom! mas fico cansada, tá muito fundo. êpa, não dá pé, não. ei, não vai embora... joga a bóia, pega minha mão. pega...
mas, não tô dizendo?

19.4.05

D&B

erica
quando ouço essa música arrepia tudo. pode ver, olha, não tem um só pelinho que não esteja de pé! e já percebeu que quando a gente se arrepia parece que tudo se abre, todos os sentidos? então eu suspiro, vontade de dançar sorrindo como se não houvesse mais ninguém no mundo. cantando alto, indo longe, sendo mais eu do que... tão eu quanto em um só momento eu sou. nossa, é tão bom quando uma música faz isso comigo. não é sempre, não são todas. e hoje tá calor, tem estrelas e eu não tenho disc man. adoro caminhar na rua, os passos no ritmo, tudo que eu vejo vira um clipe. caramba, eu podia dançar a noite toda, todos os músculos, o quadril e os ombros e os cabelos, os braços desenhando o ar. e olha só, tão sexy... mais, tesão puro.

20.2.05

arte

boca
É só ver na minha cara. lábios inchados, pedindo mais um. não solte suas mãos de mim. com duas mãos me segura inteira. vê nos meus olhos? minha voz ficou grave. não penso outra coisa a não ser como suas mãos podem estar em toda parte. ah, eu sei que você gosta daí, também é minha parte favorita. parece até que você quer moldar uma peça que já está pronta, talvez por ter a ilusão momentânea de ser o artista que a criou. e de fato me sinto teu objeto - moldado, esculpido e admirado. em tuas mãos sou arte.

18.2.05

coisa

pau2
Saquei aquela coisa de lá como uma arma. que beleza, deu água na boca. agachei pra ver de perto. um naco de luz, pela fresta da janela, revelava cores e formas. tão bonita. nada poderia me apetecer mais. não é possível traçar paralelos, era aquela coisa mesmo. só que esta era a mais bonita que já tinha visto, a melhor de todas as coisas. não porque era perfeita, era torta. talvez por isso. a torta coisa mais linda. e apetitosa. comi tudo, tudinho. o gosto era divino, um gosto de céu na boca.

17.2.05

fast

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Arremessada por uma dessas catapultas, voando rápido, longe, sem saber onde vai dar. No começo a velocidade é tanta que dá náusea, os olhos quase não abrem. À medida que o tempo passa, a velocidade diminui. Então dá pra abrir os olhos e ver o trajeto. Nem sempre uma paisagem agradável. Às vezes galhos e folhas cortam a pele. Rápido, rápido. Onde vai dar?

2.2.05

brilho

sol
Era um garoto incrível. Ainda é. Menos garoto agora, o tempo passou. Seu sorriso, pensamento ligeiro, alma leve, inflada de humor bom. Beijo, sexo, suave. Outro dia encontrei uns bilhetes - nunca mais veria nada parecido, tive certeza. Um deles, nota de alerta. Porque foi tudo num orelhão, pra quem quisesse ver. Reler o papel envolto numa carteira de notas me despertou a mesma reação da primeira vez que o li. Um sorriso instantâneo iluminou tudo. Nesse instante era como se vivesse, outra vez, os dias mais brilhantes. Guardado no peito, o homem-luz.

Mira

olhar3
Só um olhar e tantas coisas pra pensar. Quer ser criativo? Experimente olhares como aquele. Minha imaginação fértil pra um romance. Tudo por causa. Nem um perfume eu senti, apesar do beijo na bochecha. Sustentei o quanto pude meus olhos fixos ali até que me vi estampada com um ponto vermelho na testa. Torci pra cair ali mesmo, abatida. Nada. Estava ainda no salto, o batom ainda muito vermelho na boca. No roteiro que sucedeu - aquele que pude imaginar, sem plano de filmagem, à espera de recursos – tudo podia acontecer, até o gesto mais banal, desde que existisse aquele olhar. Uma rajada daquela luz e tudo acontece em slow motion. Qualquer pedido – qualquer – será atendido.

21.1.05

clima: tempo

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sete e trinta e dois. tristeza tira o sono. consome cachaça e muitos cigarros. tento dormir denovo, os pensamentos parecem sonho. a chuva chiando junto. submersa na cama ouço gritos, uma professora histérica de academia,
vai! um! dois! não pára! um! dois!
mas eu não quero ir, tá doendo tanto que nem posso mais...
vai! um! dois! não pára!
é, não vai parar. tá bom. emergir da cama e mergulhar na cidade. abro a janela. até quando vai chover?

19.1.05

viagem

ombro bastaram alguns beijos no pescoço. beijo certo no lugar exato. nua num abraço e bastam alguns beijos. no pescoço. todos os pêlos, arrepio. a mão ensopada. pronta. bem dentro dos olhos. rosto, desenho da boca, tatuagem. só as pontas dos dedos.
ainda. no lugar exato.
sem poder voltar, tantos destinos, me deixo ir.

18.1.05

sonho

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tinha muita gente, todos de branco. queria ir embora, mas, por alguma razão, não. morria de tesão num amigo da faculdade. a trepada não foi boa. a casa era enorme, talvez perto do mar. nada mudava, por mais que desejasse, nada fazia. lembro só da minha perplexidade. no entanto nada me tirava dali. era eu que tinha que ir, apenas cruzar a porta e não voltar.